O Diagnóstico Socioambiental Participativo (DSAP) vem se consolidando como uma importante ferramenta de escuta, planejamento e relacionamento entre a Mineração Rio do Norte (MRN) e as comunidades localizadas na área de influência direta do Projeto Linha de Transmissão (PLT). O DSAP, em conjunto com os impactos identificados no Estudo de Impacto Ambiental, é a base para a estruturação do Programa de Educação Ambiental do PLT.
Desenvolvido a partir de diretrizes metodológicas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e em atendimento à condicionantes socioambientais do Plano de Gestão Ambiental do PLT, o processo busca compreender a realidade socioterritorial sob a perspectiva dos próprios moradores, garantindo que as ações socioambientais sejam construídas de forma mais assertiva e alinhada às necessidades locais.
De acordo com a analista de Relações Comunitárias da MRN, Roselene Breda, o principal objetivo do DSAP é promover uma escuta qualificada e transformar esse conhecimento em iniciativas concretas dentro do Programa de Educação Ambiental do PLT. “O diagnóstico socioambiental participativo funciona como um instrumento de diálogo e fortalecimento da participação social, permitindo que as ações sejam construídas em conjunto com as comunidades, de forma transparente e alinhada às suas realidades”, explicou.
A execução do DSAP abrangeu as 19 comunidades da Área de Influência Direta do PLT, situadas nas regiões dos lagos Sapucuá, Caipuru e Xiriri, além de localidades às margens do rio Trombetas, no município de Oriximiná, oeste paraense. A partir desse processo, já foi possível identificar demandas prioritárias, potencialidades locais e desafios relacionados à implantação do empreendimento, além de fortalecer a organização comunitária e o engajamento dos moradores.
As oficinas de devolutiva, realizadas individualmente em cada comunidade, registraram participação expressiva e a percepção das comunidades reforça a importância do processo: “Foi muito importante para nós, não só para mim, mas para todos os comunitários. Esse momento trouxe mais informação, alertou a gente sobre muitas coisas que, às vezes, a gente não tem acesso. E foi essencial sermos ouvidos”, afirmou Cleudivaldo Barbosa, coordenador da comunidade São Pedro/Maceno, no Lago Sapucuá, em Oriximiná.
Ricardo de Carvalho, também morador da comunidade São Pedro/Maceno, destacou o impacto das oficinas, especialmente no fortalecimento da educação e do diálogo com a empresa: “Tudo que envolve educação é muito importante para nós, seja ambiental ou em qualquer outra área. Esses projetos são fundamentais. Eu acredito que, com a chegada dessas iniciativas, o diálogo com a MRN vai melhorar ainda mais. Já temos uma relação antiga, mas agora a expectativa é que seja ainda melhor para a comunidade”, ressaltou.
Com base nos resultados obtidos, a MRN deu início à estruturação de um conjunto de ações, inseridas no Programa de Educação Ambiental do PLT, voltados aos principais desafios identificados durante o diagnóstico. Entre as iniciativas previstas estão ações de formação de lideranças, incentivo à participação social, capacitação para prevenção de queimadas, geração de renda com base em práticas sustentáveis, incluindo o turismo comunitário, educação ambiental voltada ao uso sustentável dos recursos pesqueiros, recuperação de nascentes, conservação de recursos hídricos e promoção da navegação segura.
Segundo Roselene Breda, os próximos passos incluem a consolidação dos diagnósticos, respeitando as especificidades de cada território, a estruturação do Programa de Educação Ambiental do PLT e a implementação dos projetos junto às comunidades. “O DSAP é uma ferramenta estratégica que fortalece o relacionamento entre a MRN e as comunidades, contribuindo para um desenvolvimento mais sustentável, inclusivo e conectado com a realidade local”, afirmou.