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Ao todo, são seis municípios do Amazonas e Pará atendidos; comunidades são envolvidas e crianças beneficiadas com bolsas de estudos Com o objetivo de conservar a população de quelônios nos rios da Amazônia, comunidades ribeirinhas de seis diferentes municípios dos estados do Amazonas (Parintins, Barreirinha e Nhamundá) e do Pará (Terra Santa, Oriximiná e Juruti) estão unidas em prol do projeto Pé de Pincha. O início das ações, em 1999, contou com a modesta marca de 29 mil quelônios devolvidos aos rios. Hoje, são contabilizados 535 mil filhotes salvos pela ação dos voluntários e mais de 160 famílias da região beneficiadas. O Pé-de-Pincha é uma iniciativa do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e conta com o apoio da iniciativa privada, através de parceria com a Mineração Rio do Norte (MRN), e do poder público, por meio das prefeituras. A idéia do projeto é promover as ações de forma participativa, envolvendo comunidades e instituições locais, sempre com a participação de voluntários em 78 localidades ribeirinhas. Para os filhos dos participantes do Projeto, bolsas de estudo no valor de R$ 80,00 são distribuídas como forma de incentivo às crianças de 1ª a 4ª série, por meio de incentivo do Projeto Jovem Cientista, do Fundo de Amparo à Pesquisa do Amazonas. “As escolas das comunidades atendidas são grandes parceiras na preservação das espécies ameaçadas de extinção”, explica o Paulo César Machado Andrade, Professor da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). “Em ações como essa, os voluntários demonstram que gostam da sua terra e estão conscientes de que esse é o caminho para preservar o meio-ambiente”, afirma José Haroldo de Paula, assessor de relações comunitárias da MRN. Envolvendo a comunidade Para participarem do projeto, os ribeirinhos, que atuam como voluntários, recebem treinamento de como manejar os ovos e criar os filhotes de quelônios, que engloba espécies, como tartaruga, jabuti, tracajá, pitiú, calalumã e perema. Desde a captura dos ovos até a soltura dos filhotes, o processo leva cerca de seis meses. Além disso, estudantes da UFAM acompanham toda a operação, desde a coleta até a soltura dos animais. “No seu habitat natural, apenas 1% dos filhotes sobrevivem. Com o Projeto, esse número sobe para 20%, ou seja, estamos dando uma força para a natureza”, comenta Anndson Brelaz, aluno do curso de Engenharia de Pesca. “Para nós é extremamente significativo ver o empenho das comunidades ribeirinhas junto às entidades e o governo, em prol da preservação. Isso reflete o grau de amadurecimento em que nos encontramos, onde se cria a consciência de trabalho em conjunto no que se refere à defesa da vida”, diz. Para o controle dos animais, chips são implantados em 10% dos filhotes, para que, com isso, sejam monitorados a idade, peso e deslocamento. “Queremos saber quanto eles crescem, quantos sobrevivem e para onde vão. Há uma forte crença de que eles voltam para o lugar onde nasceram para fazer a desova de seus filhotes. Todas as informações que pudermos levantar serão úteis”, afirma Anndson. * Pincha,
na região, significa tampinha de garrafa. A analogia se deve
à semelhança das pegadas deixadas por estes quelônios
na areia com a marca da tampa das garrafas de refrigerante.
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